terça-feira, agosto 22, 2006

Mulher




Se for copiar meu poema, pelo menos tenha o bom senso de colocar a fonte!

Mulher

"Mulher, mulher, teu nome é mulher,
que nos encanta e seduz,
que nos faz rir e chorar,
que tem nos lábios o doce sabor da vida,
que tem na alma,
as marcas da vida,
Mulher, mulher, quem é você?
que gera a vida no seu ventre,
mas quer compartilhar a sua vida conosco?
Que parece uma pintura divina,
E muitas vezes se contenta em ser apenas uma moldura!
Mulher, mulher, o que queres afinal?
Fazer-nos compreender o quanto são importantes para nós?
Fazer-nos suplicar por seu amor e seu olhar?
Ou ouvir de nós que nosso coração bate mais tristemente se vocês!
É nós olhar e ver que por trás de cada bruto,
Há um menino com os olhos pedintes
E a face triste por saber o quanto as magoamos?
Se há algo que devamos pedir, que seja perdão,
Por muitas vezes não a compreender,
Por muitas vezes ser o motivo das suas lágrimas!
Há mulher, mulher, o que queres de nós,
O que queres de mim!”

Kelsen Pio Belo Coelho

sábado, agosto 19, 2006

Ressaca - Luís Fernando Veríssimo

Continuando a seção gozação, trago abaixo um texto do grande Luís Fernando Veríssimo, abordando um tema tão comum na juventude, a verdadeira ressaca.

Hoje, existem pílulas milagrosas, mas eu ainda sou do tempo das grandes ressacas. As bebedeiras de antigamente eram mais dignas, porque você as tomava sabendo que no dia seguinte estaria no inferno. Além de saúde era preciso coragem. As novas gerações não conhecem ressaca, o que talvez explique a falência dos velhos valores. A ressaca era a prova de que a retribuição divina existe e que nenhum prazer ficará sem castigo.

Cada porre era um desafio ao céu e às suas feras. E elas vinham: Náusea, Azia, Dor de Cabeça, Dúvidas Existenciais - golfadas. Hoje, as bebedeiras não têm a mesma grandeza. São inconseqüentes, literalmente.
Não é que eu fosse um bêbado, mas me lembro de todos os sábados de minha adolescência como uma luta desigual entre a cuba-libre e o meu instinto de autopreservação. A cuba-libre ganhava sempre. Já dos domingos me lembro de muito pouco, salvo a tontura e o desejo de morte.

Jurava que nunca mais ia beber, mas, antes dos trinta, "nunca mais" dura pouco. Ou então o próximo sábado custava tanto a chegar que parecia mesmo uma eternidade. Não sei o que a cuba-libre fez com meu organismo, mas até hoje quando vejo uma garrafa de rum os dedos do meu pé encolhem.

Tentava-se de tudo para evitar a ressaca. Eu preferia um Alka-Seltzer e duas aspirinas antes de dormir. Mas no estado em que chegava nem sempre conseguia completar a operação. Às vezes dissolvia as aspirinas num copo de água, engolia o Alka-Seltzer e ia borbulhando para a cama, quando encontrava a cama. Mas os métodos variavam.

Por exemplo:

Um cálice de azeite antes de começar a beber - O estomago se revoltava, você ficava doente e desistia de beber.

Tomar um copo de água entre cada copo de bebida - O difícil era manter a regularidade. A certa altura, você começava a misturar a água com a bebida, e em proporções cada vez menores. Depois, passava a pedir um copo de outra bebida entre cada copo de bebida.

Suco de tomate, limão, molho inglês, sal e pimenta - Para ser tomado no dia seguinte, de jejum. Adicionando vodca ficava um bloody-mary, mas isto era para mais tarde um pouco.
Sumo de uma batata, sementes de girassol e folhas de gelatina verde dissolvidas em querosene - Misturava-se tudo num prato pirex forrado com velhos cartões do sabonete Eucalol. Embebia-se um algodão na testa e deitava-se com os pés da ilha de Páscoa. Ficava-se imóvel durante três dias, no fim dos quais o tempo já teria curado a ressaca de qualquer maneira.

Uma cerveja bem gelada na hora de acordar - Por alguma razão o método mais popular.

Canja - Acreditava-se que uma boa canja de galinha de madrugada resolveria qualquer problema. Era preciso especificar que a canja era para tomar. No entanto, muitos mergulhavam o rosto no prato e tinham de ser socorridos às pressas antes do afogamento.

Minha experiência maior era com a cuba-libre, mas conheço outros tipos de ressaca, pelo menos de ouvir falar. Você sabia que o uísque escocês que tomara na noite anterior era paraguaio quando acordava se sentindo como uma harpa guarani. Quando a bebedeira com uísque falsificado era muito grande, você acordava se sentindo como uma harpa guarani e no depósito de instrumentos da boate Catito's em Assunção.

A pior ressaca era de gim.

Na manhã seguinte, você não conseguia abrir os dois olhos ao mesmo tempo. Abria um e quando abria o outro, o primeiro se fechava. Ficava com o ouvido tão aguçado que ouvia até os sinos da catedral de São Pedro, em Roma.
Ressaca de martini doce: você ia se levantar da cama e escorria para o chão como óleo. Pior é que você chamava a sua mãe, ela entrava correndo no quarto, escorregava em você e deslocava a bacia.
Ressaca de vinho. Pior era a sede. Você se arrastava até a cozinha, tentava alcançar a garrafa de água e puxava todo o conteúdo da geladeira em cima de você. Era descoberto na manhã seguinte imobilizado por hortigranjeiros e laticínios e mastigando um chuchu para alcançar a umidade. Era deserdado na hora.
Ressaca de cachaça. Você acordava sem saber como, de pé num canto do quarto. Levava meia hora para chegar até a cama porque se esquecera como se caminhava: era pé ante pé ou mão ante mão? Quando conseguia se deitar, tinha a sensação que deixara as duas orelhas e uma clavícula no canto.
Olhava para cima e via que aquela mancha com uma forma vagamente humana no teto finalmente se definira. Era o Peter Pan e estava piscando para você.
Ressaca de licor de ovos. Um dos poucos casos em que a lei brasileira permite a eutanásia.
Ressaca de conhaque. Você acordava lúcido. Tinha, de repente, resposta para todos os enigmas do universo. A chave de tudo estava no seu cérebro. Devia ser por isso que aqueles homenzinhos estavam tentando arrombar a sua caixa craniana. Você sabia que era alucinação, mas por via das dúvidas, quando ouvia falar em dinamite, saltava da cama ligeiro.
Hoje não existe mais isto. As pessoas bebem, bebem e não acontece nada. No dia seguinte estão saudáveis, bem-dispostas e fazem até piadas a respeito.
De vez em quando alguns dos nossos se encontram e se saúdam em silêncio. Somos como veteranos de velhas guerras lembrando os companheiros caídos e o nosso heroísmo anônimo.
Estivemos no inferno e voltamos, inteiros.
Um brinde.
E um Engov.

Fobias


Um pouco de conhecimento não faz mal a nínguem!
Ambulofobia - medo de andar
Atelofobia - medo da imperfeição
Aurofobia - medo do ouro
Bacilofobia - medo de micróbios
Bibliofobia - medo de livros
Cancerofobia - medo de câncer
Cardiopatofobia - medo de doenças do coração
Cosmetrofobia - medo de cemitérios
Demonofobia - medo de demônios
Dismorfofobia - medo de aleijão
Eclesiofobia - medo de igreja
Eufobia - medo de ouvir boas notícias
Gamofobia - medo de casamento
Fobofobia - medo do medo
Hagiofobia - medo do sagrado
Heterofobia - medo do sexo oposto
Hidrofobia - medo de água
Homilofobia - medo de sermões
Homofobia - medo da homossexualidade
Leprofobia - medo de lepra
Melofobia - medo de música
Menofobia - medo da menstruação
Necrofobia - medo da morte
Papafobia - medo do papa
Pirofobia - medo de fogo
Satanofobia - medo de Satanás
Uranofobia - medo do céu
Vacinofobia - medo de vacina
Xenofobia - medo de estrangeiros
Zoonofobia - medo de animais

(Fonte: Revista Ultimato)

terça-feira, agosto 15, 2006

Onde não há ordem, impera a desordem, mas qual?


Sempre me disseram que onde não há ordem, impera a desordem, e também que nós vivemos numa “baderna federal”, vendo os últimos acontecimentos que tomaram conta da nossa nação – mensaleiros, sanguessugas, bandidos, MST, MLST, CV, PCC, torcidas organizadas, etc. - fiquei me perguntando, afinal de contas, quem é que manda e quem é que bagunça esse país?

Explico, o país viveu nos últimos 12 meses um enxurrada de denúncias de corrupção, as mais célebres são a do mensalão, que não deu em nada, a não em rombo nas contas públicas, ou seja, nos nossos bolsos, e a mais recente, a máfia do sanguessugas, com suas mega-ambulâncias (mega no preço, não na qualidade), mais de 70 parlamentares estão envolvidos, sendo que entre eles, estão alguns mensaleiros absolvidos.

Há alguns meses atrás, o país testemunhou uma das maiores desordens já protagonizadas por um grupo militante, a invasão do Congresso Nacional pelo MLST, não se trata aqui de falar que ali só tem corrupto, que ninguém vale nada, trata-se da demonstração de afronta com o poder público e com a própria sociedade.

O MST nunca teve tanto trabalho como vem tendo nesses últimos anos, com invasões, saques, destruição de áreas produtivas, laboratórios, áreas de pesquisa, roubo de carga e de animais, e por ai vai.

As torcidas organizadas tem sido um “show” a parte, com destaque para as torcidas da região sudeste e do sul, ou seja, São Paulo e Rio Grande do Sul, por mais que digam que isso ocorre de norte a sul do país, o que sempre se vê é o terror praticado por tais grupos nos estádios, brigando, matando, invadindo, queimando.

O estado de Rondônia teve quase toda a sua estrutura legislativa e parte da executiva colocada na cadeia, e tudo indica que o judiciário irá fazer companhia, ou seja, a nata da organização do estado, organizada para roubar e pilhar.

O PCC é a bola da vez, conseguiu fazer de refém a maior cidade do país e uma das maiores da América Latina, São Paulo hoje é refém do medo e da insegurança, ataques a delegacias, quartéis da PM, do Corpo de Bombeiros, bombas em bancos e supermercados, ônibus incendiados, e o governo estadual além de se mostrar incompetente, é hipócrita ao recusar ajuda do governo federal, sob alegações políticas, e a população vai pagando por isso.

Analisando tudo isso, me pergunto de novo, quem é que manda nisso aqui? Analisando mais friamente, observei que ironicamente, a palavra de ordem vêm do crime organizado, principalmente do PCC, a estrutura dessa organização faz muito governo parecer piada – se já não o são – a estrutura criada para atender ao grupo, a arrecadação de dinheiro, a assistência aos familiares e membros, a preocupação com os “seus”, e principalmente o combate a corrupção, é claro, pois quem roubar ali dentro, morre sem direito a advogado, habeas corpus e outras artimanhas usadas por poderosos para escapara da justiça.

Em uma entrevista dada pelo líder da facção, o Marcola, ele afirma que: “Não adianta nos prender, se os criminosos mais poderosos estão no poder, se juízes, deputados, senadores e outras autoridades estão envolvidos.”, o PCC financia os estudos de garotos carentes e de muitos advogados para que trabalhem para a facção, cuida financeiramente dos familiares de cada detento integrante do grupo, arrecada e mantém um rígido controle financeiro, reinveste o que consegue, ora, isso tudo não é o papel de um governo?

Ou seja, o Brasil tem dois governos, um eleito democraticamente pela nação e que pouco faz por ela, e um governo menor, que desafia o maior, mas que cumpre o que deveria ser dever do Estado? Ironicamente, a palavra de ordem e organização da nação, ou pelo menos de “sua nação” vem do PCC, então por que não permitir que o Marcola se candidate a presidente da república? Pois se ele dirigir a máquina estatal com a mesma “competência” que dirige o PCC, esse país vai avançar e muito!

quinta-feira, julho 13, 2006

Vale a pena investir em cursinhos?

Essa matéria foi publicada no Correio Braziliense e é muito interessante, para os companheiros concurseiros, vale a pena dar uma lida.

Cecília Coelho Especial para o CorreioWeb/Concursos

Vida de concurseiro, definitivamente, não é fácil. A rotina apertada de estudos exige que muitos abram mão de momentos de lazer. Na agenda, festas e tardes de sol são rapidamente substituídas por bibliotecas e cursos especializados. Qualquer esforço é válido para conquistar o tão sonhado cargo. Em um país com taxa de 10,2% de desocupação, segundo pesquisa mensal de emprego do Instituo Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), esse tipo de seleção pode ser o passaporte para a estabilidade financeira e salários de ouro, que chegam a mais de R$ 19 mil.

Mas, para chegar lá, há um longo percurso a trilhar, e com muitas pedras. A começar pela concorrência. Anualmente, segundo Ricardo Ferreira, um dos organizadores da Feira de Concurso do Rio de Janeiro, cinco milhões de brasileiros se inscrevem em seleções públicas. Frente a tanta demanda, cursinhos especializados pipocam. Só em Brasília existem cerca de 16, com preços que partem, de acordo com a carga horária, de R$ 200 e passam dos R$ 4 mil. E aí surge a pergunta: vale a pena investir nessas instituições?

Para o juiz federal e autor do best-seller “Como passar em provas e concursos”, William Douglas, a resposta é positiva. “Acredito que valem a pena porque você lida com professores especializados e antenados nos conteúdos das prova. Mas quem não está inscrito em curso não está condenado a reprovar”, disse. O bancário da Caixa Econômica Federal Fernando Mesquita, 21 anos, que o diga. Achou desnecessário freqüentar aulas. Comprou uma apostila e estudou, sozinho, de duas a três horas por dia . “Tem que ter disciplina porque há muita coisa melhor para fazer do que ficar estudando”, contou.

Nesse ponto, Genivaldo Salgado, diretor do Instituto Obcursos, que oferece 15 cursos especializados no ramo, concorda. Explicou que a aprovação em concursos não depende exclusivamente das aulas, mas que elas dão maior disciplina ao candidato. “Um dia de aula corresponde a 15 em casa, estudando”, afirmou. Além de maior rendimento, a diretora do Instituto e Faculdade Processus, Claudine Fernandes de Araújo, apontou para outra vantagem. “O importante do cursinho é que ele mostra o caminho das pedras e os professores dão matérias que vão cair na prova”, explicou. A diretora admitiu, no entanto, que o desempenho do estudante fora das aulas também é fundamental.

Nesse quesito, Caroline Maciel Barbosa, de 28 anos, se esforça, mas aprendeu a balancear. Na luta pela aprovação abdicou, durante um ano, de tudo para se dedicar aos estudos. O resultado foi o início de fibromialgia, doença emocional que interrompe produção de serotonina e causa, além de uma pré-depressão, dores nas articulações.

Cuidados

Além desse problema, concurseiros enfrentam estresse, descrença neles mesmos e desmotivação. Para o psicólogo Alex Moreira a causa desses fatores são: a falta de informação sobre conteúdo de provas, boatos sobre a realização de provas e pressão adicional da família . Segundo Moreira, o candidato deve estabelecer objetivos, traçar prioridades e ter consciência da hora do dia em que o estudo rende mais. Concurseiros também devem ter cuidado com a alimentação. Segundo a nutricionista Priscila Aciole Lima, é recomendável comer de três em três horas e ter refeições mais leves. Frituras devem ser banidas do cardápio. “Isso ajuda a ter mais concentração e a não ficar com sono”, explicou.

terça-feira, julho 04, 2006

Criança Encontrada





Recebi um e-mail com essa mensagem de uma pessoa confiável, junto com os dados da instituição, por isso resolvi publicá-la aqui, se você tiver qualquer informação, por favor, contate o mais rápido possível nos e-mails abaixo ou no meu: kelsencoelho@gmail.com.

"Queridos Amigos, esse caso é meu mesmo....Como sabem trabalho como voluntária em um abrigo de menores aqui em Brasília a mais de 5 anos, e temos um caso hoje que me leva a pedir ajuda a vocês.Em nov de 2005 foi encontrado na rua uma criança de aproximadamente 2 anos muito bem cuidada e vestida e disse se chamar Tiago, levado ao juizado foi encaminhado ao "Nosso Lar", onde trabalho. Temos informações de que diligências foram feitas na região onde a criança foi encontrada e nada, todas as delegacias notificadas e nada, não foi possível nenhum tipo de informação dessa criança.Como o tempo está passando, ela logo será encaminhada para adoção, mas não acredito que ela não tenha ninguém nesse mundo, quando ela chegou chorava muito, ela pouco fala e sorri, já tentei com um amigo na Globo veicular a sua imagem, na tentativa de localizarmos a sua família, mas não é possível pois a política da Globo não permite a divulgação de crianças desaparecidas, o que não é o caso, pois essa é "aparecida".Mesmo assim passei e-mail para todos na Rede Globo, mas até agora nenhuma resposta.Enfim, quando ela chegou nosso primeiro sentimento foi de revolta contra essa mãe que a abandonou, mas depois quem pode garantir que ela foi abandonada mesmo pela mãe?? e se a mãe foi atropelada e ninguém notou que ela estava com uma criança...?, e se um padrasto maldoso e ciumento abandonou essa criança bem longe da região onde mora e disse a essamãe que essa criança morreu...???, bom , enfim, quando nossa imaginação fica solta podemos ter várias estórias, e eu gostaria de verdade de poder dar a esta criança a sua real história e o seu passado tão pequeno.Contei isso tudo pois quem sabe um de vocês têm alguma idéia que possa me ajudar na tentativa de localizar a família dessa criança antes dela ir para a adoção, pois aí o passado dela deixará de existir...beijos e obrigada Claudia Ps : anexo segue a foto do Tiago "
Obs.: A instituição mencionada no e-mail é o Nosso Lar. O site é:
http://www.nossolardf.org.br/
Os telefones de contato da Cláudia Juacaba (pessoa que mandou o e-mail) são: 8116-0975 ou 3224-3735. O e-mail dela é:
clljuacaba@gmail.com

terça-feira, março 21, 2006

Falcão – Meninos do Tráfico e Sociedade X Favela

No domingo, 19 de março de 2006, boa sociedade da sociedade recebeu um soco no estômago com a exibição do documentário “Falcão – Meninos do Tráfico”. Realizado pelo rapper MV Bill e seu produtor Celso Athayde, foram exibidas imagens chocantes de uma realidade alheia para muitos de nós. Num trabalho que levou 6 anos, percorrendo o país de norte a sul, foram registradas mais de 90 horas da rotina do tráfico.

Lembro-me de um provérbio que diz que “a pior coisa quando se está no fundo do poço é descobrir que no fundo ainda tem um porão!”. O documentário não citou nomes, gangs, locais, que apenas ficaram um pouco mais claros pelas imagens que se tratavam de diferentes localidades do país, fosse pelo sotaque, fosse pela paisagem. Mas mostrou uma coisa que muitos não perceberam, a guerra de duas facções: Sociedade X Favela.

Pode parecer até estranho, mas tem seu sentido. Logo no início da reportagem, um dos personagens diz o seguinte: “a gente tem que defender os moradores daqui, tem que defender o morro, eu não faço parte da sociedade, eu faço parte da favela”. Ao longo de toda a reportagem o que se percebeu bem foi o seguinte, pessoas excluídas da sociedade tradicional e inseridas na “sociedade periférica”, com suas próprias leis e regras de conduta. Tudo isso me fez pensar o seguinte, como é possível que exista justiça no país, se o que parece ocorrer é a escravidão de sociedade em benefício de outra, onde os excluídos e marginalizados, vivem em “bolsões de pobreza” como as antigas senzalas, discriminados e tratados como animais, sempre vistos como nocivos à sociedade. E pessoas “escravas” que têm dentro de si o desejo de liberdade, o grito contido de esperança.

O documentário mostrou que boa parte dos “soldados” do tráfico está ali por não terem outra chance ou condição. Muitos podem achar isso conversa fiada, mas a realidade é outra. Há alguns meses a França foi assolada por ataques de imigrantes africanos, que vindos de antigas colônias francesas na África viviam na periferia da França. O que sempre foi dito a eles é que eles eram cidadãos franceses, mas esses mesmos cidadãos não recebiam condições iguais ou pelo menos dignas, muitos entrevistados contaram que não conseguiam emprego, porque a cor da sua pele e o seu endereço já denunciavam que eles eram moradores da periferia, que também não contam com segurança, redes de água e esgoto, saúde, escolas, etc. – qualquer semelhança não é mera coincidência. Ora, o que se pode esperar de pessoas que são enxotadas e encurraladas assim?

Durante o documentário, diversos garotos relataram o desejo de tentar algo melhor, ter uma vida mais estruturada, emprego, família. Boa parte deles também foi clara ao dizer que estavam ali para sustentar a família, mas que não queriam ver os filhos envolvidos em tal atividade. O que temos em nosso país, é um genocídio anunciado, a média de vida dos “soldados” do tráfico é até os 16, 17 anos. E as gerações que vão surgindo, vêem no tráfico a esperança e o ápice de vida, admira-se quem porta um fuzil ou uma pistola, quem anda no “movimento”, quem vigia, trabalho, “endola” ou é dono de boca, a moeda corrente é um misto de admiração e cumplicidade com o tráfico, todos estão ali, todos ganham.

O interessante é que onde falha o poder do Estado e surge outro, também faz surgir a esperança. O trabalho iniciado pelo rapper MV Bill junto com outras pessoas é o da CUFA – Central Única de Favelas, que começou em 1998, com 200 pessoas, e hoje tem unidades em mais de 20 estados da federação, atendendo boa parte da população, com cursos, esportes, atividades recreativas, etc.
É incrível a ironia no país, onde não existe dinheiro para saúde, segurança e educação, sobra em “mensalões”, máfias de desvio de dinheiro, e uso do erário para fins pessoais. Vemos um sociedade capitaneada por “carniceiros” que saqueiam e pilham a população, levam a morte e o desespero às pessoas, mas que se assustam quando as mesmas pessoas devolvem a violência cometida contra elas diretamente a eles. Bem dizia o poeta Renato Russo, “Que País é esse”?

segunda-feira, março 06, 2006

Crimes Bárbaros, Penas Brandas! Resolve?



Um pouco antes do Carnaval, a sociedade foi tomada de assalto por um notícia que não era para cair na folia! O STF por 6 votos a 5, declarava a inconstitucionalidade de uma lei que proibia a progressão de regime – após cumprir 1/6 da pena, o condenado pode solicitar a mudança de regime fechado para semi-fechado, e depois para semi-aberto – de quem havia sido condenado por crimes hediondos: seqüestro, tortura, latrocínio, estupro, etc.

Sinceramente, as argumentações até aqui apresentadas, não convenceram muito, mais parece um jogo de “empurra-empurra”, sob a égide de “estamos agindo de acordo com a lei e protegendo a constituição”. Bom, falar que tal decisão encontra consenso no meio jurídico é conto da carochinha, pois no plenário do STF, a decisão foi de 6 a 5, isso reforça que o próprio STF encontrou adversidades para aprovar tal decisão, mas afinal de contas, para que ela foi dada?

Bom, vários juristas e ministros afirmam o seguinte: “É função do Estado corrigir e recuperar os seus presos, o Estado não pode agir sob vingança, e negar o direito a progressão da pena é ir contra a CF”, bom, o Ministro Márcio Thomaz Bastos, afirmou que “não é a pena que intimida o criminoso, mas a certeza da punição”, o STF declarou que embora tenha declarado que é possível o regime de progressão penal para tal caso, também declarou que o caso antes passará por um juiz, que vai analisar o caso. O STF afirmou também, que cabe ao legislativo a mudança do Código Penal, solicitando condições e penas mais duras para quem comete tais crimes, uma das propostas é o endurecimento das condições para progressão penal por crimes bárbaros, como o cumprimento de pelo menos 1/3 da pena e não 1/6, entre outras.

Mas, num país em que a própria Constituição diz que a proposta de orçamento tem que ser votada antes do fim de cada ano, e a de 2006 até agora não foi votada, não se pode esperar – ainda mais em ano de eleição – que o Congresso vá se mobilizar para mudar o Código Penal, então quais as conseqüências disso? Bom, primeiro, haverá uma enxurrada de pedidos de progressão e de revisão penal, e teremos milhares de criminosos, que apesar do excelente sistema penal brasileiro, não conseguiram se recuperar, indo para as ruas, para desespero e revolta daqueles que foram vitimados por tais “cidadãos de primeira ordem”.

Sinceramente, o Judiciário brasileiro tem dado mostras de caduquice, pois um pequeno grupo de “supostos” entendidos, com algumas canetadas e decisões, mudam – quase sempre para pior – os rumos do país! Tal desserviço prestado pelo STF, só coloca o país nos rumos do descrédito, tanto no legislativo, quanto no judiciário; se houvesse interesse no cumprimento da Constituição, deveriam ter observado que a CF diz que “todos os iguais devem ser tratados na medida da sua igualdade e os desiguais na medida da sua desigualdade.”, colocar tal tratamento para os presos de crimes hediondos, é injusto para os demais presos por crimes comuns, que são equiparados a seus colegas mais violentos, ou seja, o sujeito que está preso por furto, tem o mesmo tratamento que o condenado por latrocínio.

São tais decisões que entram para a história do país e me fazem questionar se algum dia alguém vai mudar os dizeres da nossa bandeira de “Ordem e Progresso” para “Baderna Nacional”.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Liberdade de Expressão X Expressão de Liberdade

Não me lembro quem me a seguinte frase: "a sua liberdade termina, quando ela atinge a liberdade de outra pessoa", a princípio não entendia muito bem tal frase, mas com o passar dos anos, comecei a ter uma consciência melhor disso. Sempre achei que essa frase deveria ser ensinada junto com “responsabilidade na informação”, devendo ser aplicada por todos os trabalham com informação.

Recentemente o mundo se viu as voltas com uma nova guerra, que tomou proporções até então inimagináveis por todos, um novo capítulo da “guerra das mídias”. Um jornal dinamarquês publicou há pouco tempo, charges cômicas do profeta Maomé, ícone máximo de uma das maiores e mais rígida das religiões do planeta. A celeuma toda se deve pelo fato do islã proibir qualquer tipo de representação do profeta, para evitar o risco de idolatria, nada que possa ser associado a sua imagem é aceito.

O efeito de tais publicações foi de tal intensidade, que só poderia ser comparada a intifada palestina na Faixa de Gaza, centenas de muçulmanos foram às ruas para protestar, primeiro na Dinamarca e depois se alastrando por todo o mundo, da África a Indonésia, Oriente Médio, Oceania e Américas, o mundo se viu as voltas com uma situação crítica. Para piorar a situação, logo após as primeiras manifestações, o redator chefe do jornal dinamarquês se negou a pedir desculpas a comunidade muçulmana, alegando o direito de “liberdade de expressão”, publicando então novas charges. O resultado não poderia ser pior, não só as manifestações se intensificaram, como também se tornaram mais agressivas. Embaixadas Dinamarquesas começaram a sofrer protestos, invasões e ataques em várias partes do globo, sem que os governos locais conseguissem evitar.

A partir daí, a “guerra das mídias” ganhava mais um capítulo, a acusação de quem era intolerante, alguns começaram a dizer que a “liberdade não poderia se render a questões de radicais”, outros já começavam a propor um debate sobre a questão das charges. E como dizia um grande filósofo “desgraça pouca é bobagem”, um jornal satírico francês publicou mais charges do profeta Maomé e ainda uma suposta entrevista, em que o profeta teria ligado do “Além” para dar sua opinião sobre os acontecimentos, sendo que a França ainda tenta se recuperar de uma série de violentos protestos realizados por imigrantes menos favorecidos, sendo que boa parte deles é de muçulmanos. Bom, tal liberdade de expressão de seqüência a uma séria de expressões de liberdade. Uma jovem muçulmana, residente na Dinamarca disse mais ou menos o seguinte, “as pessoas têm essa posição de defesa radical contra as charges, por que ela fere algo que mexe sua fé”.

Deixando de lado toda a confusão formada, vamos analisar um pouco os fatos, num mundo que vive as voltas com questões de terrorismo e radicalismo, e que tem o Oriente Médio como um “barril de pólvora”, qual a finalidade de tais charges? Se a intenção era de fazer rir, o efeito foi justamente o contrário. Mas o que quero questionar aqui é a questão da “liberdade de expressão”, parece que tal expressão só se aplica para valores diferentes dos vividos na nossa cultura. Há pouco tempo li um artigo num jornal sobre esse assunto, e me fiz a seguinte pergunta “como o oriente vê a tal liberdade de expressão no ocidente?”, quem pensa que por aqui a “liberdade de expressão” é uma só e igual para todos, provavelmente vive na “Ilha de Caras”.

Eu explico, vivemos uma cultura em que alguns “totens sagrados” não podem sofrer nenhum tipo de condenação, crítica, gozação, nada que possa questionar a sua suposta “santidade”, um exemplo disso, é comum no Brasil a referência sempre debochada a pastores e evangélicos em geral, que são tratados como ladrões, egoístas, intolerantes, xenofóbicos, e por ai vai. A mídia em geral sempre trata dessa forma, com comentários, matérias, acusações, charges, novelas, etc. símbolos e pilares protestantes são achincalhados, e tudo em nome da “liberdade de expressão”, mas há alguns anos, um fato mostrou o outro lado da moeda. O bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, Von Helder, em um programa da igreja na TV Record, simplesmente chutou uma imagem da Senhora da Aparecida, dizendo que aquilo não passava de uma estátua de gesso, sem vida ou valor algum, o resultado? Uma verdadeira caça as bruxas, com tentativas inclusive de processo judicial contra a igreja e o bispo, pessoas criticando e condenando, mas em nenhum momento, alguém alegou a questão da ”liberdade de expressão” ou chamou a várias partes para um debate. Ou seja, quando a questão envolve a depreciação – mesmo que não intencional – de uma posição que fuja das nossas convicções, aí temos que ter tolerância e propor um diálogo, mas quando há ofensa, nada disso vale.

Outro ponto de exemplo recente, foi o acontecido com o diretor judeu-americano Steven Spilberg, que emocionou o mundo com o filme “A Lista de Schindler”, sobre o holocausto – e lhe rendeu vários oscars – o levou a ser aclamado pela crítica semita e por Israel, mas recentemente, ele viu a outra face disso, seu mais novo filme “Munique”, mostra a retaliação do governo israelense aos supostos mentores e colaboradores, do atento contra a comitiva judaica nas olimpíadas de Munique, onde o próprio personagem Avner questiona as ações de seus superiores se perguntado se aquilo era certo ou não? Ou de que adiantava tudo aquilo, como resultado, Spilberg tem sido fortemente criticado por setores judaicos, e até pelo próprio estado de Israel. Nesses últimos dias, um jornalista e cartunista carioca, publicou algumas charges na internet sobre o holocausto, ao invés de se falar em tolerância, o que aconteceu foram acusações de anti-semitismo e xenofobia. Ora, que “liberdade de expressão” é está? Quando alguns pilares nossos são atacados, não existe qualquer forma de debate, mas ao se ironizar outros, então devemos respeitar a democracia e o direito de expressão?

Os jornalistas dinamarqueses talvez não tenham tido a intenção de ofender o Islã, mas com certeza, agiram em relação a essa religião com “dois pesos e duas medidas”, e num mundo que vive no limite da tolerância, tal atitude pode pender a balança da vida para um lado ruim.

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Política de cotas nas Universidades, solução ou enrolação?

Uma nova polêmica está no ar, a tramitação do projeto de lei que reserva metade das vagas nas universidades públicas para quem fez todo o ensino médio (2º grau) em escola pública, criticado por uns e festejado por outros, tal projeto põe ainda mais lenha na fogueira da condição social X educação X segregação social etc e tal. Qual o grande problema então?

Bom, por um lado estão as escolas particulares e todos os órgãos ligados a elas, que criticam arduamente e tentam barrar através de lobbys no Congresso Nacional esse projeto; uma das associações de escolas particulares acusou o projeto de criar uma "reserva de mercado" e que a solução estaria na melhoria do ensino público, bom até aí o que posso ver são "meias verdades", concordo plenamente que um ensino fundamental e médio sucateados não vão dar estudantes notórios para a sociedade, que é responsabilidade não só constitucional, como ética do governo de oferecer as melhores condições de ensino, escolas bem equipadas, professores bem remunerados, material de primeira, mas sabemos que isso não vai acontecer tão cedo e mesmo que começasse hoje, levaríamos pelos menos, 13 anos para ver os resultados, e num país como o Brasil, isso significa "naufrágio a vista", mas é muita ingenuidade acreditar que as pessoas ligadas a sindicados de escolas particulares, donos de colégio e coisa parecida, estão preocupados com a questão da educação, a grande preocupação é simplesmente o medo de algo que vai acabar ocorrendo, uma procura maior pela escola pública, fazendo com que haja uma grande "evasão matricular" no ensino privado. Mas, é justa a proposta do governo?

Na minha opinião, é sim e já vem bem atrasada, o que ocorre no nosso país? Bom, acho que posso comparar da seguinte forma:
Escolas Públicas:
  1. Superlotação em salas de aula.
  2. Professores mal remunerados e muitas vezes com carga horária excessiva.
  3. Material escolar defasado e as vezes de conteúdo muito fraco.
  4. Greves escolares.
  5. Falta de estrutura em muitas escolas, carteiras destruídas, fiação elétrica exposta, problemas estruturais, etc.
  6. Falta de funcionários.
  7. Falta de professores, chegando ao cúmulo de escolas ficarem alguns semestres sem professores de várias matérias.
  8. Falta de laboratórios de informática, de química, física e biologia para aulas práticas.

Escolas Privadas:

  1. Carga horária maior de aulas.
  2. Aulas práticas em laboratórios de química, física e biologia.
  3. Laboratórios de informática completos, com ministração de aulas ali mesmo.
  4. Professores bem remunerados e gabaritados.
  5. Não há greve escolar (devido inclusive ao risco de demissão por justa causa).
  6. Não há falta de funcionários que possa comprometer o funcionamento da escola.
  7. Material atualizado e voltado para os principais vestibulares do país, geralmente em Universidades Federais.
  8. Laboratórios de acompanhamento, plantão de dúvidas, aulões, etc.
  9. Planejamento voltado para a maior quantidade de aprovados possível no ENEM, PAS e no próprio Vestibular.

Ora, comparando-se as condições das duas escolas, não é difícil de se imaginar porque diversos colégios particulares detem recordes de aprovação em universidades federais, nos cursos mais concorridos, a concorrência contra um aluno vindo de uma escola pública, não é desigual, é desumana, chegando a beira do massacre. Como que um aluno pode competir em igualdade para um curso mais concorrido com alguem vindo da escolar particular?
Parece que o governo acordou para esse problema e resolveu tentar arrumar um pouco a situação, que reafirmo, será apenas provisória, haverá uma busca maior pelo ensino público, devido as condições financeiras de muitas famílias, principalmente as de classe média, tudo isso vai gerar um inchaço, e que vai exigir do governo uma atitude mais séria, mas até lá, concordo com tal atuação.
Há pouco tempo houve um debate semelhante, e foi mostrado pelo jornal Correio Braziliense - aqui de Brasília - que apesar das dificuldades, um bom número de alunos de escolas públicas havia conseguido entrar na Universidade de Brasília, só que os cursos - não menosprezando nenhum curso escolhido - eram cursos como letras, pedagogia, biblioteconomia, artes cênicas, e alguns conseguiram passar para administração.
A grande questão é a seguinte, a UnB tem como rol de cursos concorridos, as cadeiras de Medicina, Odontologia, Direito, todas as áreas de Engenharia, Mecatrôncia, Comunicação Social, etc. ou seja, parece existir uma segregação interessante, pois esses cursos têm em sua quase totalidade, alunos provenientes de ótimas escolas particulares, mas conta-se nos desdos, o número de que veio de uma escola pública, a diferença é muito grande, quem pode pagar por um ensino melhor não deve ser criticado ou cruxificado por ter uma condição melhor que os demais, mas também não pode esperar que o seu sucesso no vestibular acabe se dando, mesmo que indiretamente, através do insucesso de outros, por não terem tido condições mais justas.


segunda-feira, janeiro 02, 2006

Rádio Gospel

Hoje vivemos uma situação interessante e problemática, a postura das rádios evangélicas, cristãs, ou famosamente conhecidas como gospel, taisrádios ditas “gospel” são praticamente sectárias, com alguns pontos simples: tocam o que dá ibope, ou seja, o que está na moda, e isso vem ligado a “gravadoras gospel” – que de gospel só tem o nome, haja vista que a maioria delas têm ações de artistas contra elas na justiça e práticas que em nada perdem para o mercado secular – que combinam a linha do que tocar.

Engraçado, no domingo 04/01/2006, foi reexibido no programa “Dois a Um” da Mônica Waldvogel, uma entrevista do Wando e do Nando Reis, e uma das críticas foi feitas pelo Nando Reis, foi justamente essa posição das rádios de só tocarem um tipo de música, um tipo de segmento, menosprezando outros trabalhos, na década de 90, onde ocorreu o auge do movimento gospel e proliferação das rádios evangélicas – descontando as mais tradicionais, ligadas a certas linhas de igreja – as rádios eram até democráticas, com a “guerra das gravadoras” – entenda-se aqui Renascer em Cristo, MK, Bompastor – aconteceu que determinadas rádios só tocavam os trabalhos de artistas ligadas a determinada igreja, assim, grandes nomes da música gospel foram deixados de lado, um exemplo: alguém se lembra de ter ouvido nessas rádios Guilherme Kerr, Asaph, Rebanhão, VPC, Gerson Ortega, Expresso Luz, Koynonia, Life, Semente, Sérgio Pimenta, e curiosamente, grandes trabalhos que foram apresentados por essas rádios deixaram de ser tocados, como o Hosanna Music, Amy Grant, Cris Tolim, Avalom, WOW, Sandy Patti, etc... isso foi bastante reduzido, hoje o que se toca é o trabalho que vende igual “água no deserto”, a moda Lagoinha-Quinlam-Shea etc., outra prova da “bagunça” que isso virou é simples: onde é que estão as grandes e pequenas bandas e cantores evangélicos que fizeram sucesso? Resgate, Brother, RM6, Raízes, Sal da Terra, Kleber Lucas, Oficina G3, Catedral, Katsbárnea, Kadoshi, Carlinhos Félix? Hoje, pouco ou nada se ouve deles, e esse pessoal junto com muitos outros, fizeram história no país, levaram muitos aos pés de Cristo, criticaram, aconselharam, convocaram?

Acho que isso é prova da má qualidade de hoje da música, e maior ainda é a ignorância de muitos, pois hoje quando alguém faz um crítica ou um comentário contrário a Lagoinha e Cia, pronto, vem sempre alguém dizendo que “isso é perseguição, inveja, dor de cotovelo, falta de amor a Deus”, enfim, quem criticar esse trabalho dos “grande levitas” vai para o inferno na opinião de muitos. Sinceramente, concordo com o júnior, prefiro ouvir rádios como a Nacional FM e outras que tocam MPB, Choro, Jazz, Bossa-nova, do que ouvir as atuais “rádios cristãs”, ou então vou montar uma rádio na web ou uma rádio pirata e começar a tocar os “renegados” da música gospel! Esta aí uma boa idéia.