terça-feira, agosto 22, 2006

Mulher




Se for copiar meu poema, pelo menos tenha o bom senso de colocar a fonte!

Mulher

"Mulher, mulher, teu nome é mulher,
que nos encanta e seduz,
que nos faz rir e chorar,
que tem nos lábios o doce sabor da vida,
que tem na alma,
as marcas da vida,
Mulher, mulher, quem é você?
que gera a vida no seu ventre,
mas quer compartilhar a sua vida conosco?
Que parece uma pintura divina,
E muitas vezes se contenta em ser apenas uma moldura!
Mulher, mulher, o que queres afinal?
Fazer-nos compreender o quanto são importantes para nós?
Fazer-nos suplicar por seu amor e seu olhar?
Ou ouvir de nós que nosso coração bate mais tristemente se vocês!
É nós olhar e ver que por trás de cada bruto,
Há um menino com os olhos pedintes
E a face triste por saber o quanto as magoamos?
Se há algo que devamos pedir, que seja perdão,
Por muitas vezes não a compreender,
Por muitas vezes ser o motivo das suas lágrimas!
Há mulher, mulher, o que queres de nós,
O que queres de mim!”

Kelsen Pio Belo Coelho

sábado, agosto 19, 2006

Ressaca - Luís Fernando Veríssimo

Continuando a seção gozação, trago abaixo um texto do grande Luís Fernando Veríssimo, abordando um tema tão comum na juventude, a verdadeira ressaca.

Hoje, existem pílulas milagrosas, mas eu ainda sou do tempo das grandes ressacas. As bebedeiras de antigamente eram mais dignas, porque você as tomava sabendo que no dia seguinte estaria no inferno. Além de saúde era preciso coragem. As novas gerações não conhecem ressaca, o que talvez explique a falência dos velhos valores. A ressaca era a prova de que a retribuição divina existe e que nenhum prazer ficará sem castigo.

Cada porre era um desafio ao céu e às suas feras. E elas vinham: Náusea, Azia, Dor de Cabeça, Dúvidas Existenciais - golfadas. Hoje, as bebedeiras não têm a mesma grandeza. São inconseqüentes, literalmente.
Não é que eu fosse um bêbado, mas me lembro de todos os sábados de minha adolescência como uma luta desigual entre a cuba-libre e o meu instinto de autopreservação. A cuba-libre ganhava sempre. Já dos domingos me lembro de muito pouco, salvo a tontura e o desejo de morte.

Jurava que nunca mais ia beber, mas, antes dos trinta, "nunca mais" dura pouco. Ou então o próximo sábado custava tanto a chegar que parecia mesmo uma eternidade. Não sei o que a cuba-libre fez com meu organismo, mas até hoje quando vejo uma garrafa de rum os dedos do meu pé encolhem.

Tentava-se de tudo para evitar a ressaca. Eu preferia um Alka-Seltzer e duas aspirinas antes de dormir. Mas no estado em que chegava nem sempre conseguia completar a operação. Às vezes dissolvia as aspirinas num copo de água, engolia o Alka-Seltzer e ia borbulhando para a cama, quando encontrava a cama. Mas os métodos variavam.

Por exemplo:

Um cálice de azeite antes de começar a beber - O estomago se revoltava, você ficava doente e desistia de beber.

Tomar um copo de água entre cada copo de bebida - O difícil era manter a regularidade. A certa altura, você começava a misturar a água com a bebida, e em proporções cada vez menores. Depois, passava a pedir um copo de outra bebida entre cada copo de bebida.

Suco de tomate, limão, molho inglês, sal e pimenta - Para ser tomado no dia seguinte, de jejum. Adicionando vodca ficava um bloody-mary, mas isto era para mais tarde um pouco.
Sumo de uma batata, sementes de girassol e folhas de gelatina verde dissolvidas em querosene - Misturava-se tudo num prato pirex forrado com velhos cartões do sabonete Eucalol. Embebia-se um algodão na testa e deitava-se com os pés da ilha de Páscoa. Ficava-se imóvel durante três dias, no fim dos quais o tempo já teria curado a ressaca de qualquer maneira.

Uma cerveja bem gelada na hora de acordar - Por alguma razão o método mais popular.

Canja - Acreditava-se que uma boa canja de galinha de madrugada resolveria qualquer problema. Era preciso especificar que a canja era para tomar. No entanto, muitos mergulhavam o rosto no prato e tinham de ser socorridos às pressas antes do afogamento.

Minha experiência maior era com a cuba-libre, mas conheço outros tipos de ressaca, pelo menos de ouvir falar. Você sabia que o uísque escocês que tomara na noite anterior era paraguaio quando acordava se sentindo como uma harpa guarani. Quando a bebedeira com uísque falsificado era muito grande, você acordava se sentindo como uma harpa guarani e no depósito de instrumentos da boate Catito's em Assunção.

A pior ressaca era de gim.

Na manhã seguinte, você não conseguia abrir os dois olhos ao mesmo tempo. Abria um e quando abria o outro, o primeiro se fechava. Ficava com o ouvido tão aguçado que ouvia até os sinos da catedral de São Pedro, em Roma.
Ressaca de martini doce: você ia se levantar da cama e escorria para o chão como óleo. Pior é que você chamava a sua mãe, ela entrava correndo no quarto, escorregava em você e deslocava a bacia.
Ressaca de vinho. Pior era a sede. Você se arrastava até a cozinha, tentava alcançar a garrafa de água e puxava todo o conteúdo da geladeira em cima de você. Era descoberto na manhã seguinte imobilizado por hortigranjeiros e laticínios e mastigando um chuchu para alcançar a umidade. Era deserdado na hora.
Ressaca de cachaça. Você acordava sem saber como, de pé num canto do quarto. Levava meia hora para chegar até a cama porque se esquecera como se caminhava: era pé ante pé ou mão ante mão? Quando conseguia se deitar, tinha a sensação que deixara as duas orelhas e uma clavícula no canto.
Olhava para cima e via que aquela mancha com uma forma vagamente humana no teto finalmente se definira. Era o Peter Pan e estava piscando para você.
Ressaca de licor de ovos. Um dos poucos casos em que a lei brasileira permite a eutanásia.
Ressaca de conhaque. Você acordava lúcido. Tinha, de repente, resposta para todos os enigmas do universo. A chave de tudo estava no seu cérebro. Devia ser por isso que aqueles homenzinhos estavam tentando arrombar a sua caixa craniana. Você sabia que era alucinação, mas por via das dúvidas, quando ouvia falar em dinamite, saltava da cama ligeiro.
Hoje não existe mais isto. As pessoas bebem, bebem e não acontece nada. No dia seguinte estão saudáveis, bem-dispostas e fazem até piadas a respeito.
De vez em quando alguns dos nossos se encontram e se saúdam em silêncio. Somos como veteranos de velhas guerras lembrando os companheiros caídos e o nosso heroísmo anônimo.
Estivemos no inferno e voltamos, inteiros.
Um brinde.
E um Engov.

Fobias


Um pouco de conhecimento não faz mal a nínguem!
Ambulofobia - medo de andar
Atelofobia - medo da imperfeição
Aurofobia - medo do ouro
Bacilofobia - medo de micróbios
Bibliofobia - medo de livros
Cancerofobia - medo de câncer
Cardiopatofobia - medo de doenças do coração
Cosmetrofobia - medo de cemitérios
Demonofobia - medo de demônios
Dismorfofobia - medo de aleijão
Eclesiofobia - medo de igreja
Eufobia - medo de ouvir boas notícias
Gamofobia - medo de casamento
Fobofobia - medo do medo
Hagiofobia - medo do sagrado
Heterofobia - medo do sexo oposto
Hidrofobia - medo de água
Homilofobia - medo de sermões
Homofobia - medo da homossexualidade
Leprofobia - medo de lepra
Melofobia - medo de música
Menofobia - medo da menstruação
Necrofobia - medo da morte
Papafobia - medo do papa
Pirofobia - medo de fogo
Satanofobia - medo de Satanás
Uranofobia - medo do céu
Vacinofobia - medo de vacina
Xenofobia - medo de estrangeiros
Zoonofobia - medo de animais

(Fonte: Revista Ultimato)

terça-feira, agosto 15, 2006

Onde não há ordem, impera a desordem, mas qual?


Sempre me disseram que onde não há ordem, impera a desordem, e também que nós vivemos numa “baderna federal”, vendo os últimos acontecimentos que tomaram conta da nossa nação – mensaleiros, sanguessugas, bandidos, MST, MLST, CV, PCC, torcidas organizadas, etc. - fiquei me perguntando, afinal de contas, quem é que manda e quem é que bagunça esse país?

Explico, o país viveu nos últimos 12 meses um enxurrada de denúncias de corrupção, as mais célebres são a do mensalão, que não deu em nada, a não em rombo nas contas públicas, ou seja, nos nossos bolsos, e a mais recente, a máfia do sanguessugas, com suas mega-ambulâncias (mega no preço, não na qualidade), mais de 70 parlamentares estão envolvidos, sendo que entre eles, estão alguns mensaleiros absolvidos.

Há alguns meses atrás, o país testemunhou uma das maiores desordens já protagonizadas por um grupo militante, a invasão do Congresso Nacional pelo MLST, não se trata aqui de falar que ali só tem corrupto, que ninguém vale nada, trata-se da demonstração de afronta com o poder público e com a própria sociedade.

O MST nunca teve tanto trabalho como vem tendo nesses últimos anos, com invasões, saques, destruição de áreas produtivas, laboratórios, áreas de pesquisa, roubo de carga e de animais, e por ai vai.

As torcidas organizadas tem sido um “show” a parte, com destaque para as torcidas da região sudeste e do sul, ou seja, São Paulo e Rio Grande do Sul, por mais que digam que isso ocorre de norte a sul do país, o que sempre se vê é o terror praticado por tais grupos nos estádios, brigando, matando, invadindo, queimando.

O estado de Rondônia teve quase toda a sua estrutura legislativa e parte da executiva colocada na cadeia, e tudo indica que o judiciário irá fazer companhia, ou seja, a nata da organização do estado, organizada para roubar e pilhar.

O PCC é a bola da vez, conseguiu fazer de refém a maior cidade do país e uma das maiores da América Latina, São Paulo hoje é refém do medo e da insegurança, ataques a delegacias, quartéis da PM, do Corpo de Bombeiros, bombas em bancos e supermercados, ônibus incendiados, e o governo estadual além de se mostrar incompetente, é hipócrita ao recusar ajuda do governo federal, sob alegações políticas, e a população vai pagando por isso.

Analisando tudo isso, me pergunto de novo, quem é que manda nisso aqui? Analisando mais friamente, observei que ironicamente, a palavra de ordem vêm do crime organizado, principalmente do PCC, a estrutura dessa organização faz muito governo parecer piada – se já não o são – a estrutura criada para atender ao grupo, a arrecadação de dinheiro, a assistência aos familiares e membros, a preocupação com os “seus”, e principalmente o combate a corrupção, é claro, pois quem roubar ali dentro, morre sem direito a advogado, habeas corpus e outras artimanhas usadas por poderosos para escapara da justiça.

Em uma entrevista dada pelo líder da facção, o Marcola, ele afirma que: “Não adianta nos prender, se os criminosos mais poderosos estão no poder, se juízes, deputados, senadores e outras autoridades estão envolvidos.”, o PCC financia os estudos de garotos carentes e de muitos advogados para que trabalhem para a facção, cuida financeiramente dos familiares de cada detento integrante do grupo, arrecada e mantém um rígido controle financeiro, reinveste o que consegue, ora, isso tudo não é o papel de um governo?

Ou seja, o Brasil tem dois governos, um eleito democraticamente pela nação e que pouco faz por ela, e um governo menor, que desafia o maior, mas que cumpre o que deveria ser dever do Estado? Ironicamente, a palavra de ordem e organização da nação, ou pelo menos de “sua nação” vem do PCC, então por que não permitir que o Marcola se candidate a presidente da república? Pois se ele dirigir a máquina estatal com a mesma “competência” que dirige o PCC, esse país vai avançar e muito!